Na estrada, outra vez
VICA, dizem eles. É como se apresenta a realidade actual, de acordo com os analistas da gestão de projectos, repescada de um general americano, algures nos anos 90, ao olhar para o mundo após a queda do Muro de Berlim. Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo. Ou apenas uma Terça-Feira num qualquer giga-projecto Saudita.
Neom acabou? Para já não sabemos, mas vou ter que abandonar Jidá. E, mais uma vez, fazer as malas, encaixotar coisas, libertar a Marie Kondo interior para me libertar de objectos que não me trazem felicidade, jogar Tetris de bagagem a tentar enfiar tudo na viatura.
Depois, contorna-se Meca, sobe-se até Taif e passados 752km é só virar à direita. Simples. Chega-se ao sítio onde já fui feliz, depois nem tanto, e agora vamos ver.
Há mais trânsito, nota-se maior agressividade na condução. Os lugares de conforto ainda cá estão, Mama Noura, Bairro Diplomático. Outros desapareceram, novas cadeias de supermercados vão surgindo, o Santa Nata foi substituído pelo De Nata. Parece que saímos a ganhar. A loja de bebidas alcoólicas antes reservada a diplomatas está agora acessível a expatriados não-muçulmanos com salários acima de certo e determinado valor, e podem comprar-se decorações de Natal nalguns supermercados.
Reencontram-se velhos amigos (velhos não, ainda não). “Ah, agora estás em Riade, beduíno?”. Sim, já estive em vários sítios, às vezes por vontade, às vezes pelas circunstâncias. Novas caras e nomes a memorizar na nova empresa.
Não cai neve em Riade, mas está fresquinho, céu nublado no meu país. Não me faz assim tanta falta Lisboa para me sentir feliz, mas ajuda.