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Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

Por vezes as condições reúnem-se e as oportunidades surgem. E numa sexta feira fresca de Fevereiro de 2017, as condições reuniram-se para poder experimentar um viagem numa “coisa” coisa voadora filha de uma helicóptero e uma coisa que devia ter asas. Mas a vista lá de cima, foi suficiente para esquecer o desporto radical que estava a ser praticado.  
Dia 25 de Dezembro de 2015, por volta das 12:45. Sou o único cliente do restaurante do aeroporto internacional do Bahrein. Vazio, com excepção de dois ou três empregados. Acabaram de me servir um bife, demasiado passado, e uma cerveja. A janela dá para a pista, cinzenta, funde-se com o céu, também cinzento, e uns quantos aviões parados, são apenas silhuetas, ainda cinzentas. Foi o meu primeiro, e até agora único, Natal no Médio Oriente.  O Natal original até foi por estes (...)
A vida 500km de Riyadh tem um encanto diferente. Já não estou na capital do reino, mas reconheço que Khobar tem um glamour próprio. Alguns dirão que as cidades à beira-mar são especiais. Não sei se será isso, até porque aqui se sua bastante (coisas das “ómidades”). Mas Khobar em particular tem uma dinâmica especial e muitas parecenças com Riyadh à sua escala. Ainda não consegui levar a máquina fotográfica a ver as vistas, mas partilho com vós imagens de viagens passadas. (...)
No fim de Outubro mudei-me de Jazan (a Odeceixe da Arábia Saudita), para a capital do reino. Uma pessoa às tantas farta-se de só haver escolha entre peixe grelhado ou biryani quando se quer jantar fora. Ou Applebee’s, quando estamos com preguiça de sermos nós a enfiar a comida no micro-ondas. Diz que não se deve regressar para onde já fomos felizes, mas também diz que não se deve acreditar em tudo o que nos dizem. Voltar ao sushi do Tokyo não me deixou infeliz, e ao Mama Noura (...)
"Ma Salama" é expressão Árabe para adeus. Mas não é bem um adeus à Portuguesa. Aqui tanto é utilizado por quem vamos ver logo à tarde, como por alguém que não sabemos se voltaremos a ver. É uma palavra comum na vida de expatriado na Arábia Saudita. Mas no entanto a nossa primeira associação é a de que vai haver festa. É a desculpa para organizar jantares de grupo com os amigos ou cafezinho com aqueles que não gostamos assim tanto. Serve para celebrar as histórias comuns (...)
18 Out, 2021

Al Waba, A cratera

Viajar na Arábia Saudita é uma aventura que já tive o prazer de realizar ao longo destes quase 6 anos.  Desde sempre que conduzir foi um dos meus prazeres e fazê-lo na Arábia Saudita é algo que me agrada bastante.  Estradas amplas, com kilómetros de cenários exóticos para quem normalmente fazia a A1 Norte Sul. A minha noção de distância ficou alterada e hoje quando conduzo em Portugal as distâncias que antes me pareciam verdadeiras viagens passaram a ser já ali. A Arábia (...)
Há expressões americanas que não têm tradução decente para português, e não conheço expressões portuguesas equivalentes, para o equilíbrio entre trabalho e lazer. Há um ditado que diz primeiro a obrigação, depois a devoção, mas assim de repente não se me ocorre mais nada. Bom, vem isto a propósito da Gala Anual da Aspas (Associação dos Portugueses na Arábia Saudita), e do lazer associado ao convívio de copo na mão. Na Arábia Saudita trabalha-se muito. Naturalmente, (...)
Al Balad, é uma porta para um mundo que já não existe mas que ainda aqui está. Al Balad, é o bairro que em a ASAE não entra porque não saberia por onde começar. Al Balad, é um tratado de construção que questiona as leis dos Engenheiros e mostra que os castelos de areia não são só para putos. Al Balad, tem ruas que serpenteiam e nos fazem perder o Norte. Al Balad, é um sítio de negócios onde Homens compram e Homens vendem. Al Balad, é um sítio onde os negócios se fazem (...)
Quando eu aqui cheguei, os restaurantes (e não só), eram segregados, homens solteiros para um lado, o resto para o outro, designado por “Famílias”. A primeira vez que me sentei na zona de Famílias foi por ocasião de um jantar de expatriados portugueses, e rapidamente percebi a diferença: crianças por todo o lado, gritam, correm, há comida pelo ar (não há, mas se houvesse não estranharia). Pelo contrário, a área dos solteiros é quase como um clube de cavalheiros, dos (...)