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Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

18 Out, 2021

Al Waba, A cratera

Viajar na Arábia Saudita é uma aventura que já tive o prazer de realizar ao longo destes quase 6 anos.  Desde sempre que conduzir foi um dos meus prazeres e fazê-lo na Arábia Saudita é algo que me agrada bastante.  Estradas amplas, com kilómetros de cenários exóticos para quem normalmente fazia a A1 Norte Sul. A minha noção de distância ficou alterada e hoje quando conduzo em Portugal as distâncias que antes me pareciam verdadeiras viagens passaram a ser já ali. A Arábia (...)
Há expressões americanas que não têm tradução decente para português, e não conheço expressões portuguesas equivalentes, para o equilíbrio entre trabalho e lazer. Há um ditado que diz primeiro a obrigação, depois a devoção, mas assim de repente não se me ocorre mais nada. Bom, vem isto a propósito da Gala Anual da Aspas (Associação dos Portugueses na Arábia Saudita), e do lazer associado ao convívio de copo na mão. Na Arábia Saudita trabalha-se muito. Naturalmente, (...)
Al Balad, é uma porta para um mundo que já não existe mas que ainda aqui está. Al Balad, é o bairro que em a ASAE não entra porque não saberia por onde começar. Al Balad, é um tratado de construção que questiona as leis dos Engenheiros e mostra que os castelos de areia não são só para putos. Al Balad, tem ruas que serpenteiam e nos fazem perder o Norte. Al Balad, é um sítio de negócios onde Homens compram e Homens vendem. Al Balad, é um sítio onde os negócios se fazem (...)
Quando eu aqui cheguei, os restaurantes (e não só), eram segregados, homens solteiros para um lado, o resto para o outro, designado por “Famílias”. A primeira vez que me sentei na zona de Famílias foi por ocasião de um jantar de expatriados portugueses, e rapidamente percebi a diferença: crianças por todo o lado, gritam, correm, há comida pelo ar (não há, mas se houvesse não estranharia). Pelo contrário, a área dos solteiros é quase como um clube de cavalheiros, dos (...)
Os dias continuam quentes, mas os loucos 50 graus de Agosto já passaram. Agora as máximas já não passam dos 43. As folhas secas de Outono aqui não existem, mas já se sente a vontade de fugir para o Deserto sempre que possível. Acampar na Arábia Saudita é um desporto, que a ser de competição seria facilmente vencido pelos verdadeiros Sauditas. Atletas olímpicos em fugir da cidade e apreciar uma boa fogueira, uma boa “kabsa” e uma boa “shisha”. Aqui os jipes servem mesmo (...)
Bom, não foi bem salvar a vida, foi mais evitar uma situação desagradável, vá. A minha aventura no Médio Oriente começou em Riade, em 2015, e havia muita cidade para explorar. A família tinha ficado em Portugal, o Pokemon Go, era uma forma de me relacionar com o adolescente mais velho. E impressionar o puto, com os bicharocos que se apanhavam por aqui, pouco comuns em Portugal. Adiante. Ou antes, para trás, para trás, um pouco (só um bocadinho) de história do desenvolvimento (...)
Para um jovem rapaz dos anos 80 o Médio Oriente será sempre o país onde o petróleo nasce nas traseiras das casas. O sítio onde a água é mais cara que a gasolina. E para um jovem adolescente, os motores que o petróleo move são mais interessantes que os interesses movidos pelo petróleo. Não sou decerto um “petrolhead” fundamentalista, mas os carros sempre foram para mim um gosto especial. As fichas técnicas e os últimos modelos foram sempre informações que devorei e (...)
Janta. Nem sempre bem, mas janta. Quando se trabalha em locais remotos a alimentação é fornecida pela cantina do compound, e sometimes maybe good, sometimes maybe shit. Estamos a construir uma nova cidade, e portanto ainda não há cidade. O sítio mais próximo para ir ao café fica a 30km (por acaso até havia uma bica decente aqui no compound mas fechou por causa do Covid). Já para uma cerveja, são 1500km até ao Egipto. A Eritreia fica mais perto, e suponho que lá também (...)
No longínquo Norte do Reino esconde-se um segredo não muito secreto. O Golfo de Aqaba.    É uma zona geograficamente interessante. Sentados na praia podemos ver Arábia Saudita (obviamente), Jordânia, Israel e Egipto. Não é um fenómeno, mas é sempre uma trivia que quiçá um dia poder salvar uma noite de Trivial Pursuit. A minha razão primeira para visitar a região foi primeira a de fazer mergulho no Golfo de Aqaba. E mais uma vez o reino não desiludiu. A água um pouco mais (...)
Não há viagem como a primeira. Sabemos o que deixamos para trás, desconhecemos o que nos espera adiante, a aventura e a novidade. Depois, tudo muda, continuamos a deixar a família, os amigos, Portugal, e também o que nos fez partir.  A excitação de voar já deu lugar ao tédio, os aeroportos são todos iguais, há lojas Relay, Boss, Thule, CK One em promoção, já nem reparo, enquanto vou arrastando a mala de cabine, aka Bóbi, à procura da porta de embarque. E escala em Paris, (...)