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Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

O Paulo morreu ontem, depois de doença prolongada. Conhecemo-nos na faculdade, primeiro no Porto, numa visita da Faculdade de Arquitectura de Lisboa. No ano seguinte, mudei para Lisboa e calhámos na mesma turma. Gostávamos da mesma música, da mesma arquitectura e de motas. Era um arquitecto brilhante, angustiado com o desenho, com a integridade da obra, sempre em busca da perfeição, como é normal em arquitectos brilhantes.  Fomos ver os Cure em Alvalade, os Pogues no Coliseu, (...)
Sempre dá para enganar a saudade.  Não sei quanto tempo se demorava do interior do país aos subúrbios de Lisboa nos anos 70, talvez um pouco menos do que as 11 a 14 horas que costumo levar daqui. No final dos anos 80, a fazer fé nos Xutos, de Bragança a Lisboa ainda eram 9 horas de distância. Sem internet, suponho que se comunicava menos, as novidades urgentes por telefone, com minutos contados, mais longas por carta. As cartas então guardavam-se numa caixa de sapatos, as (...)
Haraj, é o nome dos mercados locais, onde tudo se vende, tudo se compra, novo, quase novo, usado, abusado, já devia estar no lixo… Um dos maiores do reino é o Souq da Princesa, em Riade. Podemos encontrar batedeiras, ténis Ardidas, sapatilhas Mike, cadeiras de rodas, cadeiras de barbeiro, tachos, frigoríficos, tudo o que se pode encontrar dentro de uma casa ou estabelecimento comercial, escritórios ou afins. Não é só à terça, nem só ao sábado, é todos os dias. Mais (...)
Há pessoas que não conseguem ficar sossegadas no mesmo sítio durante muito tempo. Às vezes estamos à beira-mar, outras vezes subimos à montanha.  Desta vez calhou Taif, uma pequena cidade, com um certo e determinado número de habitantes (deve estar na Wikipedia, mas não me apeteceu ir lá pesquisar), e macacos. Diz que é a capital das rosas, ainda não as vi, mas também acabei de chegar. Não sendo uma grande cidade, bafejada pelo privilégio de giga projectos do Fundo de (...)
Quando cheguei a esta terra, não tinha colegas do sexo feminino. Fui contratado por uma empresa de fiscalização de projecto e obras, de vez em quando aparecia por lá a italiana, directora dos recursos humanos, ou lá qual era a função dela. O corpo feminino expatriado (pun intended) do hemisfério ocidental distribuía-se por 3 áreas, assistentes de bordo, enfermagem e ensino. Isso também já mudou, o leque de profissões onde as expatriadas se colocam diversificou-se. Neste (...)